quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Catalisador

Muitas vezes estamos quietos, apáticos e somos arrebatados por alguma obra de arte, que nos dá um novo fôlego e razões para seguir - penso arte assim: um catalisador.

Bem como a paixão, a arte (como a considero) nos provoca sensações que vão do choro ao riso em segundos, nos faz deparar com questões/respostas que sempre estiveram ali, contidas em nosso ser, no aguardo de um incentivo para brotar e quem sabe um dia florescer.

Logo, não nos alimentamos arte, mas de vida! A arte 'apenas' potencializa as questões vitais do indivíduo, consequentemente, da sociedade. Na busca por respostas, nos sentimos saciados, cheios de vida.

Sua arte é o reflexo, o 'RNA' da sua vida e quanto mais fundido estiverem, arte e vida, mais completa serão suas realizações. Creio que por isso que os artistas são vistos como loucos... Estão boa parte do tempo em seu auge de vida, exceto quando falamos de questões capitalistas, é claro.

Fazia muito tempo que não me deparava com uma situação tão maluca quanto essa: me emocionei muito, durante e depois... O nome da obra é Taare Zameen Par - Every Child is Special (Como Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial), filme indiano que agora considero obrigatório para professores, educadores, pedagogos, psicopedagogos e afins. Na verdade não só para estes, mas para todas as pessoas que buscam catalisar suas vidas e as de quem está a sua volta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Alis Grave Nil

(Textos selecionados para a Performance dirigida por mim - apenas estes não são meus).

Alis Grave Nil - Nada é pesado quando se tem asas

A pomba, que por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio ato de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.


Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai, no espaço que seus braços já não podem conter, que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também são colos. Olhos também são ninhos. "Não tenha medo. Estou aqui! Estou vendo você": é isso o que eles dizem, os olhos do pai.

Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

Curioso: nós, humanos, somos os únicos animais a ter prazer no medo. A colina suave não seduz o alpinista. Ele quer o perigo dos abismos, o calafrio das neves, a sensação de solidão. A terra firme, tão segura, tão sem medo, tão monótona! Mas é o mar sem fim que nos chama: "A solidez da terra, monótona, parece-nos fraca ilusão. Queremos a ilusão do grande mar, multiplicada em suas malhas de perigo...

Esse é o destino dos pais: a solidão. Não é solidão de abandono. E nem a solidão de ficar sozinho. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar.

No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.

A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida.
A maior solidão é a do ser encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo.

Anônimo disse...

"Algun dia te enamorarás y no pensarás que estás atado/a a nadie, porque lo querrás tanto que ni te lo plantearás."

domingo, 7 de novembro de 2010

Que Seja...

Preciso me apaixonar...
A cada dia mais tenho certeza disso.
Acho que nunca vivi e não sei se é 'vivível'...
Sei que o amor como conhecemos e sonhamos não existe,
Ele é produto vendido pelas novelas, que seja!

Repito: Que seja!

Que seja uma paixão difícil, mas que seja...
Que seja um sonho, utopia, mas que seja...
Que seja sofrido, enlouquecedor, mas que seja...
Que seja eterno enquanto dure, mas que seja...
Que seja, aconteça, mas que seja...

Que seja...
Seja...
Já...
A...
...

sábado, 6 de novembro de 2010

O Antes... O Agora!!! E o Depois?

Será que somos despojados demais ou os antigos muito conservadores?

Hoje foi Feira Cultural na escola que dou aula... Fiquei dividido entre duas salas: 6º e 7º ano.

De repente, um senhor afirmou horrorizado para meus alunos: "Não estou vendo nada de Candido Portinari aqui" (artista tema da sala do 6º ano). A sorte que no momento, eu estava próximo e fui ao socorro deles que olhavam assustados para o autor de tal exclamação.

Falei educadamente sobre a proposta pedagógica de releitura e principalmente que a intenção não era (nem nunca foi) reproduzir obras alheias, nem criar indústria cultural, mas sim, trabalhar de forma agradável e próxima a eles (adolescentes com várias outras coisas "interessantes" pra fazer, não relacionadas a artes ou educação).

Na saída, o tal senhor argumentou que há 30 anos, foi a uma exposição de Candido Portinari e que tinha sido fantástica... Que bom! As obras são belíssimas mesmo, daí a escolha para estudarmos tal pintor (sua vida, obras, contexto histórico... não necessariamente reproduzir suas obras).

Fico pensando, questionando e concluindo:

Quem falou que existem regras para as artes?
Quem tem direito de afirmar verdades absolutas?

As pessoas não têm noção do peso da palavra/opinião proferida, principalmente para jovens que estão sentido o peso de serem avaliados publicamente pelas primeiras vezes.

Poucos conhecem a realidade do ensino e a dificuldade de motivar jovens a produzir algo e o tempo que leva para tal conquista. E tenho certeza que não foi dessa vez que o que plantei foi destruído em sua germinação, conclusão obtida pelas carinhas de aprovação a minha intervenção supracitada.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Anseio

Está tudo do avesso,
Tudo distorcido,
Eu não sou o que pareço,
Nem nada conhecido.

Hora super transparente,
Às vezes escondido,
Hora lido indecente,
Livre, desimpedido.

Só não sinto o que quero,
Nem quero o que sinto,
Mas sim, ainda espero,
Anseio e não minto.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Elucubrações

O meu peito dói, ele queima!
Arde de dentro pra fora!
A agonia sai e se expressa em forma de tosse!

O que não sai pelo verbo, dito ou escrito,
Sai por todos os poros em forma se suor!

Uma vez achado o caminho de saída...
Com canais abertos, nem antibióticos conterão o fluxo...
É demanda de produção expurgadora de Sentimentos...

Tensões...

Reflexões...

Aflições...

Frustrações...

Excitações...

Elucubrações...


Abate Diário

Me solta vida
Me solta sorte
Me solta deuses
Me solta morte

Revolta de ir com o Sol nascendo
Revolta de vir com o Sol se pondo
Revolta de estar sobrevivendo

De volta ao calendário
De volta a mesmice
De volta ao abate diário

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Desabar Água

Sentimos-nos renovados após horas de sono para restaurar outras horas de extravaso extremo...

Relembrar, reviver, re-ser, renascer é fantástico!
Principalmente quanto se trata de coisas que nos fazem bem e/ou nos fizeram em algum momento especial.

É isso: Temos que buscar e fazer o que nos faz bem! Bem de verdade! Não um bem viciante, mas um bem restaurador!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Conseguência

(escrevi quando novinho... acabo de achá-lo em meio a papéis velhos... quase foi pro lixo... que vergonha! RS...)

Na vida há propósitos
Nada acontece em vão
São belos sentimentos
Além da imaginação

Quem nasce sempre morre
Simples ordem do patrão
Conforme o tempo corre
A morte dá um empurrão

Sempre fica marcado
Sangrando nosso coração
Supera quem é amado
Por uma sincera paixão

Então sinta satisfação
Em ter alguém do lado
Retribua com atenção
Quando for procurado

Nem só de Ego vive o Homem

Viver de aparecia alimenta o ego... Mas nem só de ego vive o homem!!!
Somos o que somos e não precisamos provar nada pra ninguém.
Não devemos viver como se estivéssemos num palco ou numa entrevista de emprego!

Não significa chutar o balde, bom sendo é bom e conserva os dentes.

Mas não custa nada sermos verdadeiros com nossos sentimentos, nossas verdades, nossa essência.

Um dia o espetáculo acaba;
Um dia nos aposentamos do emprego.

E aí? Vamos nos dar conta que toda essa farsa não valeu a pena quando for tarde demais?