domingo, 17 de abril de 2011

Arte 2.0

“Arte 2.0” - Classificação Artística como Auto-Afirmação.


Os períodos devem ser definidos quando houver um distanciamento claro, com começo e fim muito bem definidos na linha do tempo.

É uma irresponsabilidade nomear ou classificar um período durante sua vigência. Levando em consideração os nomes “Moderna” e “Contemporânea”, como serão chamadas daqui a 100 ou 200 anos, quando não mais pertencerem ou significarem temporalmente e afetivamente a sociedade?

Os períodos significam e traduzem movimentos de um determinado tempo, seus títulos devem ser a síntese deste tempo e isso só pode ser feito quando concluídos, completos. A classificação deve ser dada quando deixar de ser gerúndio (ando, endo, indo) e passar a particípio (ado, ido).

A classificação de “Moderna” soa como uma forma pejorativa de auto-afirmação. Embora o movimento seja de extrema importância como identidade artística e valorização da arte em resgate e grito de reconhecimento, o título é repleto de hiper-valorização que subestima seu real significado artístico.

Isto é o reflexo deturpador da realidade ou da arte como a conhecemos. Ser moderna ou contemporânea é taxar como o último modelo de arte, é desconsiderar o que há de vir, talvez por isso o conceito tem sido mais importante que a execução.

Precisamos fomentar e valorizar artistas ativos, não historiadores e críticos de arte, sem julgá-los e/ou classificá-los. A arte é espontânea em sua essência, racionalizá-la demais, torna-a cheia de métricas e valores muito objetivos, exatos, o que a distancia de seu real impulso, a subjetividade e abstração.