quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sobre o clipe "Eu escolhi você" de Clarice Falcão

Mais uma vez sobre o clipe da Clarice Falcão, “Eu escolho você” - agora de forma mais completa pois notei que só dizer “gostei e não gostei” não é o suficiente.
Antes precisamos esclarecer que uma obra de arte não está submetida a opiniões pessoais, ou meramente trazida do senso comum, então o menos importante é opinião pública sobre gosto... Mas a repercussão e a discussão, esta sim é bastante produtiva, sobre tudo aos tabus sobre a nossa genitália (nascemos com ela).

Existem mais camadas a serem lidas, que apenas o nu. Claro que o discurso raso fixará a discussão na moral e bons costumes... Sem levar em consideração que NÃO é pornografia, muito menos sexo explícito... Trata-se de um nu artístico (como em muitas pinturas e esculturas clássicas).
Como artista, citarei algumas possíveis leituras da obra.

Além de quebra de tabu, a leitura simbólica que fiz de letra x imagem foi que:

-Trata das 49/50 pessoas que o autor se relacionou;
-Trás a discussão de padrões (os modelos não seguem nenhum padrão ditado), bem como sobre sexualidade;
-Que de todas as pessoas, "eu escolhi você", do jeito que você é, independente de 'imperfeições';
-Cita a dificuldade de escolher um alguém, que se for 'perfeitinho' não é o que nos faz bem ou o que nos escolheria
-Mas que de todas as opções, 'eu escolhi você'.
-Ainda mais, lacra em um comentário em rede social falando: Gente, calma é só piru e ppk.

Em suma, arte tem este poder: estabelecer diversas possibilidades de leitura, dependendo da vivência do receptor. O "calma gente" dela se refere à repercussão, não ao conteúdo artístico lido pela nossa subjetividade e as críticas moralistas/conservadoras.

Eu abordo diversas leituras nas aulas de arte, mas algumas escolas insistem em manter "arte e ofício", reduzindo a arte a afazeres artesanais.

E mais: estamos numa sociedade de analfabetos visuais.

Nenhum comentário: